sexta-feira, março 24, 2006

«Inocência Perdida» - o Taxi Driver Português

João ao volante do seu potente Mercedes-Benz E 200

Alguma vez se perguntaram se os taxistas são sempre sacanas e maus condutores que descarregam na estrada as frustrações do seu dia-a-dia? Nós também não. Mas podíamos ter perguntado e por essa razão esta entrevista com João Inocência, inteligentemente apelidada de «Inocência Perdida».

Hey, não são só os gajos da SportTV que têm titulos inteligentes para as reportagens!

Encontrámos João na praça de Caxias, junto à estação da CP.

Zero: «Primeira pergunta João. Porquê o Taxismo?»
João: «O taxismo sempre foi uma paixão, bem uma segunda paixão».
Zero: «Qual era a primeira?».
João: «Era com os Mercedes, sempre gostei de Mercedes. A minha mulher chama-se Mercedes, as nossas filhas são a Mercedes Ana e a Mercedes Bela».
Zero: «E se tivesse mais uma?»
João: «Era a Mercedes Carla. Mas o meu sonho é...».
Zero: «Chegar à quarta filha».
João: «A Mercedes Elena... Um sonho...».
Zero: «Tem consciência que está a chamar as suas filhas pela ordem dos modelos da Mercedes? A, B, C, E...»
João: «Yep».
Zero: «Bem, mudando de assunto, como veio para isto do taxismo?»
João: «Eu queria era mesmo conduzir um Mercedes. Como não tinha dinheiro para comprar um, vi logo que a melhor maneira era ir para taxista».
Zero: «Quer dizer que não era mal formado, feio, sujo, com barba rala, cabeloso oleoso e nem tinha aqueles tapetes de bolas para por nos bancos?»
João: «Nada. Aqui onde me vê eu era um rapaz lourinho, bem educado, asseado, lavado todos os dias com Óleo de Jojoba e barbinha feita».
Zero: «Espantoso...»
João: «Claro que isto depois é um vicio. Quando se entra num Mercedes, uma pessoa nunca mais quer sair. Deixamos de tomar banho, de fazer a barba, há dias que nem vamos a casa».
Zero: «E em relação aos outros condutores João?»

João aqui baixa os olhos e vê-se uma lágrima a aparecer. Parece comovido.

João: «Olhe sô Zero, isso é o que mais me envergonha. Eu de inicio era bem educado, deixava os outros carros passarem nas rotundas, nos cruzamentos, nas passadeiras...»
Zero: «Nas passadeiras???»
João: «Imagine, até nas passadeiras».
Zero: «Então o que é que aconteceu?»
João: «Sabe, foi um dia. Tinha eu o meu Mercedes E200 há dois dias quando um tipo se meteu à minha frente sem fazer pisca. Eu primeiro até sorri e achei que estava a andar muito depressa e tudo e então apitei uma vez para ele saber que eu pedia desculpa. O homem parou o carro e saiu e partiu-me um espelho».
Zero: «Um incidente traumático»
João: «A partir dai acabou-se o João Inocência. Agora sou só o João»
Zero: (para a câmara) «Perdeu a inocência».
João: «Foi».

Rádio: «Fzzzzzt Carro à Quinta da Horta, Carro à Quinta da Horta Fzzzzzzt»

João: «Olha, desculpe tenho de ir».
Zero: «Bem haja João. E continuação de bom taxismo!»
João: «Tchau!»

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