terça-feira, fevereiro 15, 2005

A Irmã Lúcia está morta?

«A Irmã Lúcia está morta?», deve ter sido a frase que a pobre senhora ouvia todos os dias de manhã, na sua cela.
Não estou a dizer que a quisessem morta, mas para alguém que é um ícone religioso em vida, é complicado andar a passear sem mais nem menos, mesmo na clausura de um convento de Carmelitas.

Vamos revisitar o último dia da Irmã Lúcia neste mundo de pecadores.

Irmã #1: (abrindo a porta da cela) «A Irmã Lúcia está morta?»
Irmã Lúcia: «Bom dia para ti também pá»
Irmã #1: «Ai desculpe Irmã. Era só para ver se a Irmã está morta»
Irmã Lúcia: «Ainda não foi hoje. Até me estou a sentir bem disposta e tudo»
Irmã #2: «Então, a Irmã Lúcia está morta?»
Irmã #1: «Nope...»
Irmã #2: (a sussurrar) «Porra»
Irmã Lúcia: «Então o que é o pequeno almoço hoje? Há bacon & eggs?» (ri-se)
Irmã #2: «IRMÃ LÚCIA! AINDA BEM QUE ESTÁ VIVA!!!»
Irmã Lúcia: (a rir-se) «Bacon a eggs...»
Irmã #1: «Sim Irmã. Tem a sua piada. Bacon a Eggs... Sim senhor».
Irmã #2: «Há 50 anos que diz a mesma piada de manhá, já cansa».

(a Irmã Lúcia toma um duche, lava o cabelo com Head & Shoulders e sai para a missa da manhã)

Madre Superiora: «Onde está a Irmã Lúcia?»
Jardineiro: «Não sei. Ainda não a vi hoje»
Madre Superiora: (a cruzar os dedos) «É hoje. É hoje»
Jardineiro: «É hoje o quê?»

(numa cela na cave)

Irmã #3: «100. Pelo menos 100!»
Irmã #4: «100? Porra. Só tenho 50. Toma 50!»
Irmã #3: «50? Isso não te compra um terço daqueles rascas pá. Estás a fazer-me perder tempo!»
Irmã #4: «Só tenho 50»
Irmã #3: «Esquece. Vou rezar para outra paróquia»
Irmã #4: «Eh pá, espera. Ok, ok. Toma lá 100... andava a poupá-los, para quando o Papa viesse a Portugal outra vez, mas da maneira como as coisas estão...»
Irmã #3: «Estás a fazer um bom investimento minha»
Madre Superiora: (a meter a cabeça na porta) «Vocês viram a Irmã Lúcia?»
Irmã #3: «Er... eu não»
Irmã #4: «Eu também não»
Madre Superiora: «Hum... como é que estão as probabilidades?»
Irmã #3: «3 para 10 como ela morre hoje. Quer meter mais 100?»
Madre Superiora: «Mais 100? Nem penses. Já penhorei um crucifixo e tudo. Nem penses»
Irmã #3: «E nada de mexer com o destino ouviu. Tem de haver honestidade!»
Madre Superiora: «Sempre».

(a Madre sai e vai à procura da Irmã Lúcia no bar do Convento)

Madre Superiora: «Honestidade... bah... era o que mais faltava... hoje é dia 13 e ela morre. Ou eu não me chame Maria das Dores do Coração Imaculado de Jesus em Chagas...»

(no Bar está tudo a olhar para a Irmã Lúcia. São 10h40)

Irmã Lúcia: (para a senhora do bar) «Tem...?»
Mulher do bar: «Sim. Sim. Bacon a eggs... já vai sair uma dose»
Irmã Lúcia: (ri-se a altas gargalhadas)
Mulher do bar: (a servi-la) «Olhe que um dia... tanto bacon &...»
Irmã Lúcia: «Bacon a eggs. AHAHAHAHAHAH!!»
Mulher do bar: «...vão dar-lhe um ataque cardíaco...»

A Irmã Lúcia senta-se numa mesa e come com a boca aberta. Está tudo a olhar para ela e a para os relógios.

Irmã #2: «Então Irmã Lúcia? Está a sentir-se bem? Olhe que hoje é dia 13!»
Irmã Lúcia: (com a boca cheia) «Sim, sim. Deixa-me comer pá. Ainda me engasgo»
Madra Superiora: (salta de repente em frente da Irmã Lúcia) «AH! AH! IRMÃ LÚCIA!»

A Irmã Lúcia engasga-se, começa a tossir. As irmãs olham todas umas paras as outras e pegam nos papelinhos das apostas.

Irmã Lúcia: «Madre... Madre... devia mostrar um bocadinho mais de respeito».
Madre Superiora: «Desculpe Irmã Lúcia, ando com o colesterol alto»
Irmã Lúcia: «Porra. Este bacon a modos que sabe mal. Que chatice. OUÇA LÁ SENHORA DO BAR!»
Mulher do bar: «ESTRAGADO! Em 20 anos nunca me disseram isto!»
Irmã Lúcia: «Quem é que viu a Nossa Senhora?»
Mulher do bar: «Er... foi a Irmã Lúcia»
Irmã Lúcia: «Quem é que ALÈM de ver a Nossa Senhora, falou com ela?»
Mulher do bar: (envergonhada) «Foi a Irmã Lúcia...»
Irmã Lúcia: «Ela deu-te mensagens a ti?»
Mulher do bar: «Não»
Irmã Lúcia: «Pois não. Por isso eu devo saber o que digo, não achas?»
Mulher do bar: «Sim Irmã Lúcia, desculpe. Eu trago outro»
Irmã Lúcia: «Deixa. Já perdi o apetite, vou para o ginásio»

12h00 A Irmã Lúcia vai para o ginásio do Convento fazer abdominais.

Padre-Trainner: «Vai! Vai! 1 e 2 e 1 e 2!»

A Irmã Lúcia dá no duro, enquanto a Madre olha de longe. Vendo uma oportunidade, ela desliga a segurança da máquina dos alteres, antes da Irmã Lúcia ir para lá. Mas a Irmã Lúcia muda de ideias. O padre-Trainner vai para a máquina e os alteres caiem em cima dele, esmagando-o.

A Irmã Lúcia vai rezar. A Madre segue-a e vai para o primeiro andar da capela. Com cuidado, rompe a corda que segura o grande candelabro de ferro. A corda parte-se e o monstro de metal dirige-se para a cabeça da Irmã Lúcia. Mas esta levanta-se e desvia-se mesmo a tempo.

São 16h. A Irmã Lúcia dirige-se para o jardim.

Madre Superiora: «Dá-me essa pá!»
Jardineiro: «Não! Não! Não faça isso!»
Madre Superiora: «Eu mato aquela cabra!»

Nesse preciso momnento, enquanto a Madre tenta arrancar a pá das mãos fortes e musculadas, embora de pele sedosa, do jardineiro, a Irmã Lúcia agarra-se ao peito e cai ao chão. Os dois ficam a olhar, petrificados.

Irmã #1: «A Irmã Lúcia...»
Irmã #2: «...está morta?»
Irmã #3: «Merda».

Segue-se uma grande festa. As irmãs estão todas aos saltos agarradas aos papéis das apostas. Os sinos dobram em alegria e abre-se Raposeira da boa no bar.

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