sábado, março 20, 2004

Amo os gatos

.:.:.: pós de perelimpimpim :..::.:…..:.:::::..::.:

Um gato passeia pelo beiral logo depois da chuva
Rabo insinuante em serpente
Roçando-se contra a humidade insconstante
No ronronar felino sem mexer os bigodes

Amo os gatos
Perelimpimpim
Os gatos

Um gato passeia no beiral
Cuidado!
Cuidado!
O seu corpo fino, delgado, jinga como uma prostituta pelas telhas e pelas calhas
Como se não houvesse tempo entre as refeições
Como se não houvesse vida no intersticio das sestas

Amo os gatos
Perelimpimpim
Eles nunca dormem verdadeiramente,
A não ser no colo de quem confiam até a vida e a morte
Pim.

É engraçado e sedutor,
Perigoso acreditar que se vê mais do que o movimento
Que se percebe mais do que a forma que foge num salto, num rasgo de sombra
O gato procura os lados e as arestas,
Mas roça-se na base, de baixo para cima, polindo, refinando, sempre tentanto a perfeição.
Ele mata por ti, ele caça por ti, traz a teus pés o rato desgraçado que nasceu para servir de troféu, o pássaro manco que caiu do ninho depois de lutar tanto para sair da casca.

Amo os gatos
Simplesmente
Pim.

Silêncio
Sabem estar calados a olhar
Há nisso uma nobreza sem igual
Porque
Quem deixa de pensar
Deixa de ser animal

Simplesmente
Deixa
De ser animal
Para ser eterno
Como os deuses
Uma lágrima doce
Na chuva quente
Um sorriso
Na tragédia de estarmos perdidos no escuro.

Os gatos
Os gatos
Os gatos

Perelimpimpim
Pimpim.
Pim.




Comments:

Enviar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?