sábado, outubro 25, 2003

Red crescent sea foam

Maryanne esconde o pequeno revólver de prata na mala com um rodar de pulso que lembra e insinua o rodar que fecha um batón depois de deixar os lábios carmim.

O Hotel tem uma grande piscina construida numa varanda. Dá para o grande espelho de água e confunde-se com o grande espelho de água logo por debaixo.

O cabelo ruivo de Maryanne queima a noite fria.
Uma rajada de vento perturba e deslinda, meneando, os segredos que o enredam em circulos infinitos até aos seus ombros de pele clara.

«Cuba Libre, thanks»

«Not for me... I hate Castro...»

Risos dissolvem-se na noite enquanto os corpos próximos olham para a lua alta, num vermelho de terramoto, amaldiçoando a Terra.

Do nada ouve-se um grito.

Marynanne não olha. Apenas de soslaio para o reflexo da lua vermelha na água negra e fria, enquanto o seu cabelo esvoaça livre na brisa maritima salgada.

Ouve-se alguém dizer sem fôlego.

«Room 78... he's... he's dead...»

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